Ólafur veio me visitar.
Falou-me de sua angustia e tristeza.
Falou-me do vazio que se instalou em seu peito nesses dias de chuva miúda.
Então o coração que já estava quase parado dentro desse velho peito bateu acelerado.
E ele estava tão pequeno.
Tão devagar.
Tão cansado...
As palavras saiam de uma forma cansada e dolorosa.
Ele estava tão belo...
Tinha em sua face a expressão da morte.
Olhos quase fechados e sem brilho.
Lábios ressecados e cabelos ao vento.
Pálido, sem sangue, sem brilho, sem vida...
Ólafur estava morrendo e fiquei apenas a admirar aquela bela imagem em minha frente.
Fascinei-me com tanta beleza.
O que pode ser mais belo do que a angustia e a morte?
Ele foi me envolvendo, me levando consigo.
Dei-me por completo.
Deite-me ali ao seu lado e fiquei a ver o vento passar...
Totalmente jogada naquela grama, simplesmente não conseguia tirar os olhos de Ólafur.
Hoje ele sentia tanta dor.
Morte, vazio, dor e desanimo.
Ólafur estava assim.
Estava lindo.
Quanta beleza, meu Deus, quanta beleza...
Tão divino tão profano...
Consegue enfeitiçar no olhar, envolver com seus sons.
Tens-me como ninguém nunca terá.
Tendo-me sugado toda a força, ele me tocava os lábios e íamos morrendo lentamente.
...
Hoje Ólafur veio me visitar.
Falou-me de sua angustia e tristeza.
Falou-me do vazio que se instalou em seu peito nesses dias de chuva miúda.
Então o coração que já estava quase parado dentro desse velho peito voltou a bater acelerado...
Anne.
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