É estranho. É misterioso. É sozinho. É estudioso. É belo. É frio. É distante. É muito. Mas pouco se sabe a seu respeito. É uma multidão de coisas a serem descobertas... Acompanhado dos livros, ele mora entre os corredores da biblioteca e as trilhas do Parque Zoobotânico. Hoje, o vi sorrindo, com os olhos, para o livro que devorava lentamente. Fiquei presa aquela cena. Não sei ao certo o que senti, não sei ao certo se senti. Não sei por quanto tempo fiquei a espioná-lo entre os livros. Sem pensamentos, sem sons, sem nada. Apenas aquela coisa indefinida. Aquela coisa que julgava sem sentimentos, que julgava sem nada. Ali, bem ali, sorrindo, amando, aquele pedaço de papel, velho e mau cuidado. Aquelas palavras que aos comuns são tão normais e sem nada. Mas ele não é comum, não é como os outros que parasitam e se embebedam para ter que sorrir. Os outros que precisam pagar para sentir o ‘bem estar’. Ele é diferente. Encontra o ‘bem estar’, o refugio, o amigo e alegria naqueles livros empoeirados e esquecidos pelos outros. Ele parecia amar tudo aquilo. E eu não conseguia deixar de olhá-lo. Os livros que trazia comigo, foram escorregando lentamente, e sem eu me dar conta, eles estavam no chão. Então ele olhou-me assustado e veio em minha direção. Fiquei paralisada enquanto ele arrumava os livros que deixei cair. E sem dizer uma única palavra, ele se foi. O bom velhinho da biblioteca chegou e deu-me aquele amontoado de papéis que continha o sofrimento e as lamentações do jovem Werther. Encaminhei-me até o balcão, assinei o contrato de empréstimo de velho Goethe, enquanto isso, eu pude sentir que ele estava a me olhar de longe, era tão gelado e doente, deixou-me perturbada e ainda mais curiosa... Saí dali.
Anne.
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