Olho ao redor e vejo todos suplicando por ajuda.
Olho para mim e só vejo o vazio.
Como poderei ajudar tantas pessoas se aqui dentro já não há nada?
Eu tenho uma dívida tão grande com elas.
Elas que me acolheram na noite em que a tempestade se fazia forte.
Elas que me curaram a pneumonia.
Elas que me vestiram e zelaram meu sono.
Não sou ingrata.
Minha dívida é enorme e queria ter como pagar.
Mas a verdade é que não tenho nada a oferecer.
A verdade é que me doem vê-los sangrando.
Mas é verdade também que não tenho forças para tirá-los daquelas trincheiras.
Não tenho mais nada.
Só o vazio.
O vazio que me tornou alguém vazia.
O vazio que tornou minhas palavras vazias.
Que congelou as lágrimas e o coração.
Eu só sinto dor.
Dor e vazio.
Vazio e frio.
Frio e chuva.
Chuva e nada.
E mais nada.
Anne
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