Love, love look what you’ve done to my heart…

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Lamentações

Pintura de John Henry Fusli, o sonho do pastor, 1795.


Tenho me arrastado, me agarrado a qualquer parede, por mais velha e frágil que seja, apenas na ânsia de não deixar morrer o que ainda há de belo em mim. Minha humanidade, toda a minha humanidade, aonde foi parar? Já não a sinto aqui dentro. Não quero me perder entre tantas pessoas e lugares e sentimentos. Aos poucos, estou me tornando a sombra daquilo que eu um dia eu fui. E fui lindamente. Não quero deixar morrer esse imenso amor que trago aqui dentro pelas pessoas. Sim, eu sei, poucos são os que merecem. Mas meu coração não me ouve e insiste em amar a muitos. E esse amor só vem me trazendo sofrimento e dor. Quem foi que disse que amor traz paz e felicidade e sorrisos e calmaria? Esse amor que caminha aqui dentro, só me destrói, me fere, me aprisiona a esse chão, as lágrimas e ao nada. Por que Deus permitiu nascer esse imenso amor em mim, se ele só significa minha morte? Às vezes penso que seria melhor ser apenas mais uma medíocre. Seria tudo tão mais fácil. Outras, tenho certeza que por mais dolorosa que seja essa minha jornada, fico feliz por saber que ao menos eu sinto de verdade. E que é um sentimento bom: querer bem a todos não deve ser nada ruim. Toda a crueldade desse amor, só fere a mim. Apenas a mim. E assim vou seguindo, amando os outros e me destruindo aos poucos. O que pode ser mais cruel do que essa morte lenta e silenciosa?

 "A imagem dessa paixão acompanha-me por toda parte e, também eu, presa do mesmo fogo, ardo e entristeço-me." (Werther para Wahlheim - Goethe)


Anne.

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