Milhões zombam de mim. De minha dor. De minha insignificância. De minha mediocridade. Sempre zombaram...
E eu sempre disse ser indiferente. Acreditei ser superior. Agi como superior. Aniquilei todos aqueles que ousaram se desfazer de mim. Aqueles que um dia chamei de vermes. Os falsos. Os ratos. Os decompositores que se alimentaram de minha ruína e miséria.
Obtive paz durante alguns dias. Esqueci-me daqueles que sempre insistiram em me tirar a paz. Habituei-me a ausência deles, derrubei os muros de proteção, gritei minha dor sem medo dos risos repletos de egoísmo e ódio da platéia que me assistia.
E eis que de repente os ratos voltam - às vezes penso que eles nunca foram embora, apenas me permitiram alguns dias de sossego; Eles voltaram repletos de impiedade e destinados e me verem no chão.
Surpreendi-me com o retorno deles. Fiquei irritada. Desnorteada. Preparei-me para o combate outra vez. Quis destruí-los. Eis então que a razão e maturidade me bateram a porta. Abrir e eles me disseram para seguir, disseram-me que se eu continuasse a combater os vermes que insistem em me rodear eu acabaria me tornando uma ratazana como eles. Feito ratos brigando pelo pedaço de queijo apodrecido que se encontra no lixo. Eles tentando me tirar a paz, divertindo-se com a minha impaciência e eu sempre tentando-lhes provar da minha superioridade.
Resolvi ser indiferente aos ataques. Resolvi não atacar de volta. Mas não deu. Foi impossível ficar tranqüila e não sentir raiva. Continuei seguindo. Dessa vez eu fingi uma indiferença que não existia. Fingi uma tranqüilidade inexistente. Mas os ataques continuaram. Parece que farejaram no ar que eu só queria paz. E não satisfeitos, continuaram a atacar sem piedade. Tentaram me levar ao inferno. Mas ainda assim continuei seguindo.
E eu que sou tão pouca coisa não entendo o motivo de tanto sentimento ruim direcionado a mim. Uma vez, um colega me disse: - É sempre assim, os bons são sempre vítimas dos ruins. Ouvir isso me consolava, sempre que sofria um ataque lembrava-me dessa frase e tentava me sentir melhor.
Por algum tempo essa desculpa serviu-me de calmante. Mas hoje, ela já não é o suficiente. Caí na real e vi que não sou boa, não sou melhor e nunca fui. Então por que ainda assim eu continuo sendo atacada? Por que eles desperdiçam tanto tempo tentando me ferir, será que eles não vêem que já sofro o bastante? Talvez eles não tenham percebido que aquele sorriso não significa alegria, não representa a melhor vida possível. Ele é apenas um sorriso. Um desabafo. Uma esperança. Uma fé na vida, na natureza e nas pessoas.
Ah, as pessoas... São tão lindas, cheias de vida e brilho. Pena que elas não conseguem enxergar a beleza que as habitam. É triste ver tanta destruição. Rancor. Inveja. Ódio. Egoísmo e tristeza.
Elas se destroem e ainda se acham no direito de reclamar da infelicidade. Perdem tempo tentando causar a infelicidade alheia ao invés de se concentrarem na suas alegrias.
Ah, a humanidade me entristece...
Cada dia mais me custa acreditar nas pessoas. E se digo isso sou tachada de desumana. Sendo que a culpa não é minha se alguém esqueceu o que é realmente ser humano.
“Errar é humano”. Sim, errar é humano. Acontece que as pessoas só cultivam o lado negativo do que é Ser Humano.
Cansei de acreditar. Cansei de esperar. Eu só quero ficar em paz, em paz...
Aos vermes que se alimentam de minha miséria, só me resta sentir pena.
Pena e nada mais.
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