Love, love look what you’ve done to my heart…

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Delicate.

     Hoje Rubião voltou a tocar-me. Voltei a sentir aquele misto de Tudo&Nada. Aqueles sons. Aqueles sussurros. O vento. Os toques. Aquela infinita conversa contida no íntimo de nossos olhares... Ah, tudo isso, tudo o que houve, tudo o que não foi, fez um bem danado para a mente. Fiquei livre de todos os pensamentos. Flutuei entre as nuvens. Corri sob as árvores. Fui feliz, pude livrar-me de tudo. Tudo... No entanto, tudo isso, tudo o que houve, tudo o que não foi, fez a alma ficar apertada. Um tanto espremida como uma laranja. Murcha como um maracujá velho que amadureceu lindo e saboroso, mas que foi rejeitado e esquecido, e então murchou e apodreceu no pé, até um vento forte passar e derrubá-lo sob o chão duro e sujo. Sujo... E fiquei ali, sentindo aquilo, algo lá dentro, no mais íntimo. Aquela coisa sem nome. E foi apertando mais e mais. Foi espremendo a laranja já sem suco. Não é nada forte. Não é nada insuportável. Não é Ão. É Inha. É pequenininha. Devagarzinha. E aperta devagarzinho, tudo bem Inho e Inha. Aquela coisa que vai destruindo aos poucos. Que faz sentir borboletas no estômago ao passo em que essas borboletas se transformam em um vendaval que assola o coração já debilitado. Que deixa a respiração ofegante. Devagar, pára. O coração bate a mil e a zero. Tudo ao mesmo tempo. Tudo&Nada. Dor&prazer. Amor&Morte. Morte...Então choro, me debato contra o chão sujo e duro no qual o maracujá murcho caiu. Me espremo como se fosse a última laranja. Me reviro. Respiro o mundo de uma única vez e sinto o ar faltar-me. Tão cheia. Tão vazia. Me acabo em lágrimas e dores inexistentes, mas que meu corpo insiste em sentir. Me perfuro com facas afiadas, sangro. Me rasgo entre os galhos secos das árvores. Me encho de espinhos. Caio em um rio sujo e repleto de morte. Animais famintos me cercam. O ar parece fugir dos pulmões e fico cheia demais. Cheia de nada.  Penso: -Talvez se eu gritar alguém me ouça e me socorra. Mas não, a voz não saí. Já não há grito. Já não há ninguém. Já não há nada. Sem ar, sem movimento, sem voz, sem as lágrimas que em outrora foram abundantes, me espremo cada vez mais. Sinto todo o meu corpo retorcido, mesmo tendo a certeza de está sentada, imóvel, sem sequer uma lágrima ter escorrido dos olhos. E penso: -Estarei eu louca? Não, eu não sou tão sortuda assim. Esvazio-me de ar, de forças, de palavras e encho-me de angustia e de uma coisa ainda não descoberta pelos senhores que tratam dos males que afligem os humanos. Aquela coisa ainda sem nome e sem cura. Sem cura... E quando penso em ir, em fechar os olhos e adormecer, vejo aqueles olhos grandes e profundos a me olhar. É Rubião. Sim, ele ainda está ali, e eu ainda estou aqui. Ainda estamos a nos olhar. Nossas almas ainda conversam e quando eu quase adormeço, ele sorri e diz adeus. Então a voz, a força, o ar e as palavras retornam. Ele se vai e a canção chega ao fim. Volto a sentir o ar e tudo o mais. O mesmo mais de sempre. O mesmo nada... No fim de tudo, uma lágrima escorre e então o dia chega ao fim.

 Isso é apenas delicado♫ ♪
Delicado... 


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