Love, love look what you’ve done to my heart…

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Apenas mais uma escrita medíocre

É, o que tanto temia aconteceu!
Isso aqui tornou-se qualquer coisa sem importância, sem sentido e sem sentimento.
Tornou-se qualquer coisa vaga e medíocre demais.
As palavras tornaram-se frias e vazias.
Já não representam, não expressam e não significam nada.
Perdeu-se o sentido.
Perdeu-se os sentimentos.
Perdeu-se a razão.


O 'pior' é saber que ando sentindo...
Hoje Ólafur veio conversar comigo.
Passou toda a manhã a sussurrar coisas em meu ouvido.
Foi bom perceber que ele voltou.
Mas foi perturbador não conseguir entender o que ele tanto gritava em mim.
Foi desesperador ouvir e não entender.
Hoje ele falou-me em uma outra língua e eu não consegui decifrar aqueles sons.
Pareceu-me um tanto angustiado.
Um pouco louco.
Com muita coisa a me dizer.
Mas eu não entendi.
E isso enlouqueceu-me.


Outra coisa que também me enlouquece é ver que
Escrevo uma imensidão de páginas e o infinito das palavras, 
Mas não me encontro, não me vejo nem me sinto em nenhuma delas.
Só vejo letras vazias.
Vejo vírgulas e pontos que não me dizem nada.


Nunca escrevi poema.
Nunca escrevi prosa.
Nunca escrevi versos.
Apenas soltava o que havia em mim.
As palavras iam surgindo.
Os sentimentos tomando formas.
Me via, me reconhecia, me aliviava...


Mas tudo se foi.
Ficou apenas o vazio das letras.
O gelo dos versos e frases que já não me pintam.


Isso me fere.


Escrevo a eternidade e depois jogo tudo fora.
Escrevo, leio e vejo um estranho.
Um nada.
Jogo fora esse estranho que vem habitando em minha escrita
E continuo a escrever na ânsia de achar algum resquício de mim em uma palavra, letra, vírgula ou ponto qualquer.
Qualquer coisa que seja,
O mínimo.


Escrevo porque preciso aliviar minha loucura, 
Mesmo que as palavras tenham me abandonado
Eu escrevo.


Escrevo porque só o que me resta é escrever.
Escrevo e odeio tudo que sai de mim.


E continuo a escrever...


Escrevo com frieza e indiferença.
Escrevo com a 'razão'.
Escrevo com a perturbação.
Escrevo o abandono da minha escrita.
Escrevo o real e o imaginário.
Escrevo e jogo fora.


Sinto um misto de calma e ansiedade.
Qualquer coisa ainda não sentida.
Não sei o que sinto e a escrita já não me ajuda a descobrir o que é.
Uma doença jamais vivida.
Um novo vírus que me invade, me consome.
Uma nova morte.


... E o novo ainda me assusta.


Ah...
Tenho sentido tudo esses dias.
Tenho sentido o mundo.
Tenho sentido aquela coisa sem gosto.
Aquela coisa sem definição.
Sinto, escrevo e não me vejo.


Já deu, essas palavras não são EU.
São apenas palavras.
No máximo, representam minha decadência.
O lixo.
O nada.


Continuo escrevendo.


Me perdi.


Preciso me achar.
Preciso me ver.
Preciso me ler.


As luzes se apagaram e as palavras...
Ah... As palavras,
Elas me abandonaram...


E eu ainda continuo escrevendo.


Estou tossindo.
Estou sangrando.
As chuvas de inverno me adoecem.
A febre me consome
E tudo foi embora.


Anne.

Nenhum comentário:

Postar um comentário