Depois de horas e horas de tanta dor e sofrimento, dormi. Jamais pensei que eu pudesse sentir tanta dor, não sei ao certo se é a alma ou o corpo que mais sofre hoje.
Esses últimos dias, a depressão foi ficando cada vez mais forte. Mesmo eu negando, sorrindo e vivendo, ela foi chegando, se aproximando aos poucos, como quem não quer nada, e sem eu nem esperar, atacou. Mas dessa vez, diferentemente das outras, ela não me deixou apenas confusa, irritada, carente... Não, ela foi mais cruel, se fez mais forte e atacou sem dó nem piedade.
Ontem eu dormi cedo e hoje demorei a levantar. Não era apenas a velha preguiça de sempre, eu simplesmente não conseguia levantar. Meu estômago doía, sentia vontade de vomitar. Cada músculo do meu corpo doía, cada osso, cada fio de cabelo. Até então, tudo bem, isso poderia ser dengue ou qualquer outra doença. Mas de repente, lá veio ela, a vontade inexplicável de ficar simplesmente deitada, de chorar. E chorei. Foram horas intermináveis, lutando contra essa dor, esse vazio.
Não suportei, chorei. Chorei sem explicação, sem motivo, fiquei ali caída no chão, sem nenhuma parede próxima onde eu pudesse me apoiar.
Tudo doía tudo me feria. Oh céus, e aquela vontade de vomitar. Botar para fora tudo aquilo que me consumia, me matava... Eu quis ir ao médico, me rendi, reconheci meu fracasso, precisava/preciso de meus remédios. Preciso me chapar me dopar, sentir a lombra, ficar anestesiada disso.
Sinto que estou caindo em queda livre, sem pára-quedas, sem rede protetora, sem nenhum herói no meu céu, sem ninguém para me salvar, me aparar e me botar para dormir.
Sinto dor, sinto frio, e esse calor me sufoca, tenho dificuldades para respirar, mal consigo andar, tudo ficou pesado demais e eu já não tenho forças.
Enquanto dormia, minha febre só ficava mais forte, estava afundando na cama e todos pensam que tenho dengue.
Há horas que não tem como evitar as lágrimas, entro em desespero, como vou conseguir suportar tanta dor?
Queria que me pai me pegasse no colo, cantasse, me levasse para longe.
Acordei e a dor ainda estava ali, mais forte, mais intensa e me fez chorar mais uma vez.
Não tive forças para levantar, fiquei ali mesmo, deitada, jogada, esquecida, chorando, afundando e eu que fui dormir tão feliz. Quisera nem ter acordado hoje.
Dessa vez eu não caí do cavalo, foi de algo mais alto e me machuquei bem mais na queda. Ainda estou aqui, caída na esquina, jogada, chorando, sentindo dor, a espera de algum mendigo ou viciado que possa me achar e me levar para casa.
E essa dor sem motivo está matando meu corpo, enquanto a angústia vai despedaçando a alma.
Estou sem pedaços, estou ferida, estou no chão, estou atolada na lama, afundando na areia movediça, que quanto mais tento sair, mais afundo.
Alguém aí pode acender a luz novamente?
Está escuro demais e não posso enxergar o fim do túnel.
Quanto mais terei que caminhar até que eu encontre esse fim?
Por que o céu não é mais azul e as nuvens estão tão carregadas?
Alguém pode me ouvir?
Não sei por quanto tempo ainda vou suportar, espero que o socorro esteja chegando logo.
É quarta-feira e estou morrendo, estou só, caída na esquina de qualquer periferia de uma grande cidade, já cansei de esperar pelos pára-médicos, já esqueci os nomes dos meus heróis, esqueci o endereço da minha casa, só aguardo ansiosamente por algum mendigo ou viciado que possa encontrar meu corpo e me levar para casa.
É quarta-feira, estou transpirando e sinto frio, tudo dói e já não posso suportar.
É quarta-feira e estou morrendo em qualquer esquina de uma grande cidade.
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Texto redigido na quarta à tarde, ao som de The Way I Choose - Bad Company
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Anne.

li seu blog e digo irma!!! não perca a fé, Deus tudo pode, vc se sente assim pela falta de deus!!! vou orar por vc irma, q deus te abençeo a vc e sua familia muito
ResponderExcluirpq nessa hora so Deus pode salvar