Love, love look what you’ve done to my heart…

domingo, 24 de outubro de 2010

Dúvidas

Ainda estamos nas primeiras horas da segunda-feira de um semana que promete ser bem cansativa.
Daqui há algumas horas começa o Simpósio que até o mês de agosto, me doei de alma e corpo para a sua organização.
Na quarta-feira é aniversário de um amigo.
Na sexta-feira, provavelmente, terá mais um evento organizado pelo Coletivo.


Uma semana cheia de complicações e trabalhos.
Uma semana que será cansativa e triste.


Sinto dores, mas sinto tantas dores que tenho medo de dormir.
Sei que quando acordar, eles estarão mais fortes.


Queria está longe.
Queria um lugar frio, com uma cama quente, um chocolate, uma canção e uma pessoa disposta a me aturar.


Cada vez mais freqüentes, comentários do meus amigos me fazem refletir sobre meu agir com o outro.
Eles sempre dizem que sou má.
Mas que só quem me conhece de verdade é que sabe de minha bondade.


Certamente, isso deveria me deixar feliz. Mas vem me deixando confusa.
Fico a pensar: Será que sou tão ruim assim com as pessoas? 
Por que todos dizem que a princípio tinha medo de mim? 
Que sou fria, chata e grossa? 
Se sou realmente assim, como eles ainda insistem em falar de minha bondade? 


Estou tão confusa quanto a mim mesma. Eu que sempre pensei ser uma pessoa boa. Que sempre desejei bem a todos. Que nunca consegui sentir raiva de ninguém. Eu que já cheguei ao ponto de sentir raiva própria, por não conseguir desejar mal a alguém que já me fez derramar tantas lágrimas. Eu que não consigo deixar de amar Deus apesar de tudo que já houve, de todas as dúvidas e inseguranças.


Quando falam de minha frieza e indiferença, eu sempre me legitimo, ou tento.
Digo que a vida não é fácil, e que pessoas estão cada vez mais cruéis. 
Que preciso me defender de tais pessoas.
Que não posso demonstrar fraqueza.
Outras vezes apenas digo que as pessoas no geral, não fazem diferença nenhuma na minha vida.
Que representam tão pouca coisa, eu nem as odeio, apenas não as amo mais.
Não como já amei.
Ah, lembro da época que amava o mundo, as pessoas, os animais...
Pedia em minhas orações, para que todas as pessoas do mundo fossem tão feliz quanto eu.
Que ninguém passasse fome, sentisse frio. 
Que todas as famílias deixassem de brigar...


E hoje, quando paro para pensar em minhas orações, me pergunto: eu estou menos humana? me tornei alguém mais cruel? ou a vida é assim mesmo?


Às vezes, me sinto tão egoísta por não mais me preocupar com problemas alheios.
Agora, apenas os problemas daqueles que trago no peito, me preocupam.


Eu realmente não sei o que fui.
O que sou.
O que me tornei.


Estou ouvindo Ólafur, e fico a pensar nisso.


Sou má?
Sou boa?
Sou cruel?
Sou amável?
Sou insensível? 
Sou emotiva demais?
Como posso não gostar que sejam pegajosos comigo, ao passo que me apego muito fácil as pessoas?
Me apego tão fácil as pessoas, que a princípio, sou a mais fria e calculista possível, tento afasta-las de mim para que não tenha que me preocupar com elas depois.


Ah, eu sou tão egoísta.
Tão orgulhosa, manipuladora.
Querendo sempre ser o centro da atenção.
Precisando ser vista por todos, querida, amada e desejada por todos, ao ponto que quero ser invisível. 


Ah, eu sou aquilo mais tenho nojo.
Talvez o nojo seja justamente por ser tratar de algo que sou.


Ah, mas amo tanto os meus amigos.
Sofro mais com a dor deles, do que com a minha.
Queria tê-los sempre por perto.
Tento respeitar o espaço de cada um.
Faço o possível para não ser tão pegajosa, tenho medo que enjoem de mim.
Sou a mais carinhosa possível.
Mais atenta, mais humilde e sincera.
Sempre me entrego por completo...


Tenho tanto medo de magoá-los.
Tenho tanto medo de perde-los. 


Queria eu poder, transmitir tudo aquilo que penso e sinto para alguém. Assim, essa pessoa poderia me dizer o que sou.


Eu que sempre tive tantas dúvidas em relação as pessoas.
Dúvidas que me tornaram alguém descrente.


Ao mesmo tempo que sou realista e fria, sonho tanto.
Eu não sei o que sou.  
Para cada cousa que me torna uma pessoa má.
Encontro outro que me torna uma pessoa boa.
E assim vai indo sempre.


Como pode haver em mim tanta contradição meu Deus.
Tanta dúvida.
Não pretendo descobri que sou uma pessoa boa.
Durante muito tempo cri fielmente, que sou algo ruim.
Indiferente, educado por natureza, irônico por paixão, maldoso por diversão, tão sem sentimentos...
E agora, todas essas pessoas, esses sorrisos, me derretem e me mostram, me falam, me fazem acreditar que sou algo melhor.
...Colocam em dúvida o que sou.


Cheia de dúvidas, indiferença, carência, tristeza e sorrisos, por hora eu só precisava saber o que sou.


Estou ouvindo Raein e meu coração chora...



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