Love, love look what you’ve done to my heart…

domingo, 4 de julho de 2010

Joana



Agia como se ainda não acreditasse, como alguém que ainda vive um conto de fadas. Acordava todos os dias, certa de que ele voltaria. De que traria de volta todo o seu amor, que a pegaria pelos braços lhe beijaria a face e contar-lhe-ia de toda saudade que sentira, de como também havia sido difícil passar todo esse tempo longe de seus cuidados, de sua preocupação, de seu amor.
Aos outros, mostrava felicidade, alegria, dizia sempre que aquilo já não lhe afetava mais, que era forte, superior a tudo aquilo. Repetia isso inúmeras vezes durante o banho. Mas não tinha jeito, não podia evitar as lágrimas.
Enquanto a água fria caia sob si, pensava consigo mesma: - Como ele pode está fazendo isso comigo? Será que ele não percebe que o amo de verdade? E todas as vezes que lhe falei de meu amor, por que ele não acreditou? Será que ele não percebe que eu já estou no limite, que já sofri o suficiente? Como pôde chamar-me de mentirosa, falsa, jogadora, hipócrita? Oh, como pode comparar-me as outras...
E assim as lágrimas caiam cada vez mais, era involuntário.
E aquela frase que não lhe saia da cabeça: - Você é como as outras, na verdade, é pior porque finge ser diferente, mas no fundo é igual.
Isso a machucava.
Mas ao sair do banho sempre fingia acreditar que tudo aquilo se resolveria, que aquilo não era verdade, que ele não poderia pensar aqueles absurdos. Afinal, ela desarmou-se por completo quando o conheceu. Abdicou ao jogo. Foi sincera, pura, amiga. E todos os sacrifícios feitos, eles não contavam?
Com ele soube o que significa gostar de alguém, o que significa ter um amigo. Gostou pela primeira vez, e gostou de graça, foi um gostar gratuito sem pedir ou esperar nada em troca. Ela simplesmente não conseguia entender como podia ter acabado.
Pobre Joana, sempre soube que não seria para sempre, mas não conseguia esquecer a primeira vez que ele a fez chorar. Aquelas palavras lhe trouxeram alegria: - Você é a amiga de que eu preciso.
Mas ao lembrar-se disso, logo lhe vinha a memória o fim: - Você não é mais aquela pessoa que eu tanto gostei.
E isso lhe feria profundamente, sofria como jamais tivesse imaginado.
Apesar de cada dia alimentar uma nova esperança, de criar uma nova solução em sua cabeça, no fundo sabia, sabia que não teria volta. Estava condenada a está imensa tristeza e dor que lhe atingiu o peito no dia em que ele virou-lhe as costas.
E Joana chorava...


 AnNe

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